Lembrando que meu avô, era, até seu falecimento em 2007, a maior memória viva em Acari-RN (posto hoje ocupado por Jesus de Miúdo), ele mesmo me disse que havia três versões. A primeira é a que quem primeiro recebeu esse apelido foram os filhos de Antônio Pereira do Salgado, filho de Tomás Araújo, o Terceiro. Alguns dos filhos deste teriam a fala gutural arrastada, quase um fanho, parecida com um maribondo de ferrão que já naquela época começava a rarear (primeira metade do século XIX). Quando viajei para Florânia tive um primeiro contato com essa abelha, e um segundo contato em Santana dos Matos-RN. Realmente é uma abelha muito rara, pois não pude avistar sua "casa", contentando-me apenas com um contato visual de longe (é um animal muito desconfiado), mostrada pelos moradores das fazendas que visitava quando moleque. Dizem que há delas ainda em Caicó e Jucurutu, mas especificamente na Quixaba dos Nogueiras. Não sei exatamente onde fica isso, mas com certeza meu pai deve saber, perguntem a ele.

Voltando... Meu avô me deu ainda uma segunda versão (a mais aceita na família, é claro) que ele mesmo ouvira sobre Manoel de Araújo Pereira. Ele era o descendente direto de Tomaz de Araújo Pereira, o Segundo. Ele teria morrido ao tentar tirar do oco de uma árvore o mel das abelhas chamadas na região de Maranganhas, sendo encontrado pelo filho, que comeu todo o mel antes de dar notícia da morte do pai, originando assim o apelido da família.
O nome da abelha, assim, teria apelidado a minha família, depois que Manoel de Araújo Pereira faleceu no mato tirando mel. Usando um machado, teria partido o tronco, mas o mesmo, mal aberto, fechou-se sobre esse meu antepassado, prendendo-o fatalmente, somente localizado no dia seguinte pelos filhos – Manoel de Araújo Pereira Júnior, Madalena Fernandes de Medeiros, Félix de Araújo Pereira (segundo meu avô, deste poderia ter surgido a tradição dos Félix Maranganha, do qual sou o sétimo na seqüência), Maria Suzana da Anunciação, José Martins e Antonio – quando avistaram os urubus fazendo ronda ao longe.

Não lembro da terceira versão, mas sabe-se que pelo menos quatro clãs levam o crédito dos Maranganhas na região: Brito, Medeiros, Araújo e Pereira, desses todos, porém, os Medeiros e os Brito são os que ainda mantêm o maior contigente. De acordo com os dados tirados da entrevista com meu avô três anos antes de seu falecimento, e confirmada por tios e primos meus, a origem do nome concorda lastimavelmente com a morte de um avoengo antecessor, corroborando com a versâo mais aceita na família.
(Imagem 1: Brasão dos Maranganhas por Félix Maranganha.
Imagem 2: reunião familiar dos netos de Antônio Medeiros Costa, eu ali no meio de camisa listrada.
Imagem 3: Brasão dos Medeiros)
Imagem 2: reunião familiar dos netos de Antônio Medeiros Costa, eu ali no meio de camisa listrada.
Imagem 3: Brasão dos Medeiros)







